ENCRUZILHADA, Marcelo D'Salete, Editora Veneta, maio de 2016 (nova edição!).
Duas crianças abandonadas nas ruas da cidade grande, uma garota de programa, um usuário de drogas, vendedores de DVDs piratas, um ladrão de carros: os personagens de Encruzilhada revelam a São Paulo, por trás dos anúncios de celulares, por trás das fachadas luminosas, para além da segurança dos shopping centers. O livro, lançado originalmente em 2011 (pela Leya), volta agora em uma edição ampliada, com a hq Risco (Cachalote, 2014).
ISBN-10: 856313762X, dimensões: 16 x 23 cm, 160 páginas, lombada quadrada.

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COMENTÁRIOS

O traço é sujo e poético. É Repleto de uma escuridão, de uma dinâmica que remete inevitavelmente a asfixia urbana e o convívio imagético do cinema, da TV, das artes de Rua na criação de um universo jovem contundido pelo desemprego e pelo acaso cruel das grandes cidades.
Marcelo Yuka

Marcelo d'Salete, após três anos de trabalho, dá vida às cinzentas ruas de São Paulo de forma única através de cinco histórias. A HQ Encruzilhada retrata uma São Paulo muito mais que os becos, as vielas, grafites e a arquitetura que poderia estar em qualquer grande centro urbano.
Rafael Roncato (entrevista ao site Saraiva Conteúdo)

O que é curioso é que uma obra como Encruzilhada, não sendo, como dissemos, panfletária, acaba por se tornar mais efectiva na resistência que faz a essas pequenas opressões - raciais, económicas, políticas, culturais, ou até mesmo existenciais. Não apresentando soluções, nem ficções inócuas em cujas fantasias se desvendará um desejo que jamais poderá ser cumprido sob o peso da gravidade da realidade, mas antes um sublinhar dessas mesmas angústias sempiternas, talvez ele possa funcionar como antídoto. Como um pequeno mapa para uma encruzilhada.
Pedro Moura (blog lerbd)

O livro prende o leitor não pelo apelo das tramas em si, mas pelo caminho escolhido para contá-las. O quadrinhista lança mão de recursos como closes em partes do corpo ou vestimentas para falar dos personagens e desenhos em perspectivas inusitadas para retratar a cidade. Assim, d'Salete surpreende a cada virada de página. E as surpresas não vêm do roteiro, do andamento das histórias como é mais comum de se ver. São surpresas, sobretudo, gráficas.
Ana Rita Martins (Jornal da tarde)

Os quadros são fragmentados se misturam, mostram cenários, rostos e movimentos que sugerem e adiantam ao leitor a ação da história. Com poucos diálogos, todo o trabalho de entender e acompanhar a trama esta na observação dos detalhes dos desenhos, na fachada da loja de grife, nas marcas famosas das roupas das personagens e dos seus celulares, na expressão delas. O conhecimento do leitor de outras histórias como essa garante que ele reconheça um padrão de comportamento e acompanhe a sequência de imagens até o final do livro sem sentir falta de mais diálogos.
Rizzenhas (rizzenhas.com)

Comentário sobre o ENCRUZILHADA no programa Omelete TV #141!
Omelete TV ( omelete.uol.com.br)

Mas os personagens deste álbum estão longe de ter acesso livre a todos os produtos e serviços que estampam suas marcas na história. Pelo contrário: vivem num mundo marginal. O celular é pré-pago. O DVD é pirata. O carro caro comprado com esforço é tido como roubado. Há seguranças e garçons controlando para que essas pessoas ocupem seus devidos lugares. Às vezes, se tornam vítimas sem terem culpa de nada - apenas porque são eles que precisam provar sua própria inocência, que não é presumida.
Pela descrição, pode até passar a impressão de que se trata de um mundo distópico - uma versão nacional de O Cavaleiro das Trevas ou Ronin. Mas não é nada disso. Pelo contrário: as histórias de Encruzilhada se passam no Brasil mesmo. Especificamente em São Paulo, terra do seu autor. E falam de uma gente excluída de uma sociedade de consumo cada vez mais poderosa e opressora.
Eduardo Nasi (universohq.com)

HQ-SP. Em livro recém-lançado, paulistano usa a cidade como pano de fundo para criar histórias em quadrinhos.
Juliana Vaz (Revista São Paulo)

Encruzilhada trata do cotidiano urbano nas ruas paulistanas, com personagens decalcados do mundo real protagonizando
pequenos contos sobre marginalidade, consumismo e violência.
Marcelo Miranda (Jornal O Tempo)

Na obra de d´Salete, além do hibridismo característico dos quadrinhos, há uma forte ligação com as linguagens da chamada ralé da hierarquia urbana: abundam referências a códigos representativos para a cidade como sinais de trânsito e placas, pichações e grafite, embalagens de produtos, anúncios de outdoors, marcas. Códigos que também são tão signos de cidade como calçadas, os edifícios semi-abandonados ou aparentando cortiços, e aborda frequentemente o conflito de classes, evidenciado pela clara disputa entre agentes da ordem e os fora-da-lei.  
Maria Clara Carneiro (artigo Narrativas contemporâneas: das artes "à margem": sobre encruzilhada e outras "artes periféricas", 2012)

Encruzilhada se passa em São Paulo. O livro, composto por 5 histórias fechadas, explora o universo urbano, que se passam entre becos, vielas e condomínios de periferia da grande metrópole brasileira.
João Paulo Cuenca (Estúdio I Globonews)

Há uma tensão não declarada nos quadrinhos de Marcelo d'Salete. Encruzilhada reune cinco histórias que se passam entre becos, vielas e condomínios de perferia da grande metrópole brasileira, e que são protagonizadas por jovens trabalhadores e desocupados em suas atribulações ordinárias e banais pela sobrevivência.
Seu traço e estilo passam longe daquele trabalho bem acabado e bem definido, limpinho e certinho. Esta "imperfeição", moldada através de linhas e manchas, tem influência declarada do graffiti e dessa atual topografia urbana sobrecarregada de uma cidade como São Paulo, onde vive o quadrinhista.
Bruno Dorigatti (Ler a entrevista completa)

Com um traço seco, propositadamente soturno, com sombras salpicadas de mais sombras e que envolvem as personagens e cenários, criando silêncios assustadores nas tristes paisagens urbanas, Encruzilhada tem o clima visual de um verdadeiro pesadelo e nos remete imediatamente a aquele medo irracional que sentimos nas ruas escuras ou nas vielas em que apertamos o passo mesmo quando sabemos que não há ninguém ali.
Lillo Parra (blog quadro-a-quadro.blog.br)

É difícil tentar resumir o enredo de cada uma das histórias sem entregar muito. Mesmo porque os roteiros são simples, extraindo grande parte da sua força da própria narrativa. D'Salete relata as agruras de seus personagens com um estilo propositalmente sujo e sombrio, com um traço icônico e sofisticado. Os cenários são muito bem desenhados, e os moradores de São Paulo irão reconhecer algumas das localidades. O autor não facilita na hora de contar as histórias, pois o foco muda repentinamente de um grupo de personagens para outro, o que pode causar uma pequena confusão de início. Mas o leitor se acostumará rapidamente, pois a intenção do autor parece ser exatamente essa: mostrar uma gama de personagens aparentemente distantes entre si, e ver como elas acabam interagindo.
Bruno Rios Evangelista (ver matéria completa)

Marcelo d’Salete foi criado em São Mateus e, quando adolescente, trabalhou como office boy no centro. “Quando comecei a trabalhar com ilustração e design, acabei circulando muito pela Vila Maria, depois, regiões próximas da Avenida Tiradentes. De certa forma, as histórias do livro têm a ver com essa trajetória e com que venho vendo e conhecendo tanto de quadrinhos quanto de São Paulo mais
recentemente”, conta o desenhista, que chegou a morar em Brasília no ano passado. Mas uma nova oportunidade de emprego o levou de volta para o Butantã, Zona Oeste. Os quadros de Encruzilhada economizam nos diálogos — uma herança que vem da paixão pelo cinema de Takeshi Kitano e Alfred Hitchcock— e preenchem os espaços vazios com borrões sombreados, nebulosos: os personagens
humanos compõem a paisagem de prédios pálidos, anúncios publicitários e pichações.
Felipe Morais (Correio Braziliense)

"O álbum Encruzilhada reuniu duas coisas que amo fazer: desenhar e contar histórias sobre São Paulo".
Marcela Rodrigues Silva (Entrevista para o Jornal da Tarde)

Encruzilhada é o segundo álbum de histórias em quadrinho solo do paulistano crescido na zona leste e formado em Artes Plásticas Marcelo D’Salete, 32. O livro demorou três anos pra ficar pronto e ser lançado agora em julho pela editora Barba Negra, tempo usado por ele pra rabiscar anotações e sair pela capital fotografando tudo e todos por ângulos vários — se você já por acaso passou os olhos pelas páginas da brochura ou leu alguma outra entrevista com o autor, sabe que os enquadramentos e referências cinematográficas (e não o roteiro em si) são a menina linda-linda da obra, composta por cinco histórias de espíritos sem luz ou lanterna fraca que têm em comum o fato de viverem na galopante megalópole do crack, rapa e celular pré-pago. O que se vê muito pela janela, só que desenhado pra quem ainda não entendeu. Não bonitinho, que o mundo é mesmo feio. Acontece nos melhores bairros do Limoeiro.
Bruno Soraggi (Entrevista para a VICE)

Quer Noite Luz quer Encruzilhada são livros onde se coordenam um conjunto de pequenos relatos sobre personagens aparentemente desvinculadas umas das outras, mas na verdade, tal como os espaços sociais sucessivos e concêntricos da narrativa (o bar que dá nome ao livro, o bairro, a cidade), e que criam um ambiente enclausurado – corroborado pelo trabalho figurativo denso do autor, o seu uso de sombras sujas de grafite e tinta, os enquadramentos apertados, as focalizações enviesadas, o ligeiro “fora de campo”
nas relações texto-imagem – elas estabelecem uma rede de confissões, de experiências, de reflexos da vida local que compõem um
retrato social.
Pedro Moura (trecho do texto crítico para a exposição Seis esquinas de inquietação, Amadora, 2013)

A narrativa de Marcelo é uma espécie de jogo de imagens com poucos diálogos e muitas cenas, numa composição rica e dinâmica que mais insinua do que explica. o fundo preto das páginas dá uma sensação de que somos espectadores numa sala escura de cinema.
Nobu Chinen (revista Viração, março de 2013)